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Foto: tumblr |
Um dos efeitos da globalização é o fato de muitas pessoas estarem relativamente próximas a países estrangeiros sem necessariamente visitá-los. Desse modo, é possível apaixonar-se pela comida,pela música, pelos costumes e até mesmo pelas pessoas de determinada região sem sair de seu país.
Enquanto conversávamos, ele mostrou a bandeira do Brasil, guardada com carinho em seu guarda-roupa, além da camisa do time carioca Vasco da Gama. Vincenzo conhece também outros times, como Corinthias e Santos. O futebol brasileiro é uma das coisas que o italiano mais admira no país, além das paisagens naturais. “Gosto também da paixão brasileira, os brasileiros são pessoas calorosas e gentis”, disse durante a entrevista. Sabe também que o Brasil não é só Rio de Janeiro e São Paulo, algo difícil de se encontrar se tratando de pessoas que nunca visitaram nosso país. Citou cidades como Porto Alegre e a região Nordeste, dizendo que gostaria de visitá-las um dia.
Sobre a cidade de São Paulo, Vincenzo declarou que conhece sua fama de “cidade caótica” e do problema que os paulistanos têm com o trânsito intenso da cidade. Algo que ele considera feio na paisagem das grandes cidades brasileiras são os fios elétricos. “São cheios de nós e parecem desorganizados. Acho que o governo poderia fazer algo a respeito, pois além de algo feio, pode ser perigoso para as pessoas”.
Disse também que sabia a respeito da influência que São Paulo recebeu da Itália, pois muitos italianos migraram para cá no passado e continuam migrando hoje em dia. Perguntei se ele imaginava o porquê disso. Na opinião de Vincenzo, o Brasil ainda recebe muitos italianos pois é um país que acolhe bem os imigrantes, além de ser um lugar belo para se morar, com clima agradável e não muito frio. Além disso, ele pensa que outro fator determinante seja a crise econômica enfrentada não só pela Itália, mas por toda Europa. No final das contas, viver no Brasil acaba sendo uma boa alternativa para os italianos.
Vincenzo tem uma visão muito positiva do Brasil, seja por seu contato com brasileiros ou por sua simpatia pela nossa cultura. Mas que dizer dos italianos de forma geral? “Acho que a Itália tem uma boa opinião sobre o Brasil”, respondeu sobre o assunto. Citou também os esteriótipos, que segundo ele, são vistos como na maioria dos outros países: mulheres fáceis, praias, o carnaval e a reputação do povo brasileiro como alegre o tempo todo. Sobre concordar com esses esteriótipos, ele concorda em partes; não têm a mesma visão negativa sobre as mulheres brasileiras, mas concorda sobre reputação alegre que o país recebe.
Falamos sobre a TV brasileira e, apesar de não conhecer tantos programas, Vincenzo diz que admira personalidades brasileiras, como Juliana Moreira (modelo e apresentadora do canal italiano RAI). Citou também um comercial do Guaraná Antártica com o craque argentino Maradona, além de uma pegadinha muito famosa aqui no Brasil, a da “garota no elevador”, do canal SBT. Assistiu também o filme “Tropa de Elite”, que retrata o dia a dia nas favelas cariocas.
A influência italiana está fortemente presente na gastronomia paulistana. Contamos à Vincenzo sobre a popularidade dos “gelatos” aqui no Brasil, além da famosa “soda italiana” vendida nos restaurantes. À respeito da soda, ele disse que nunca havia visto na Itália. “Ah, é bonita! O aspecto parece bom, como uma cedrata [refrigerante italiano feito com limão ou laranja]”, disse ao ver uma foto. Ele opinou sobre esse tipo de comida de “nacionalidade fake”, dizendo que é boa em partes, já que de certa forma divulga outra cultura. A parte ruim, segundo ele, é que o efeito pode se inverter, trazendo má fama à culinária de determinado país.
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